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Artigos
O outro lado da prática esportiva
19/08/2006
Ítalo Bruno de Lima Nonato
Ítalo Bruno de Lima Nonato é Psicólogo do Centro de Treinamento de Alto Rendimento da Região Norte Especialista em Psicologia do Esporte pela PUC de Porto Alegre - RS . É membro da sociedade Brasileira de Psicologia do Esporte e Psicólogo da Federação de Atletismo do Amazonas.


O esporte nos dias de hoje, no seu processo de construção, sofreu influências das transformações sócio-culturais e absorveu uma série de características da sociedade industrial moderna como afirmam alguns teóricos e como é sabido por todos nós que vivemos o esporte. Na sociedade atual, é fácil percebermos que os pais incentivam seus filhos a prática esportiva, com ênfase na competição. O meu filho vai ser jogador de futebol, é o novo Ronaldinho ou coisas desse tipo.

Incentivam principalmente daquela forma em que acarretará a vitória, o mais habilidoso, o confronto, a luta, o domínio e a divulgação do feito: medalhas, comentários em jornais e rádios locais, premiação pública na escola ou no clube. Como se na verdade não fosse o filho atleta o real vencedor e sim o pai que estivesse realizando algum triunfo que foi reprimido por suas escolhas ou de outrem em relação a sua carreira esportiva. O início antecipado ou precoce não é garantia de nada. A literatura especializada oferece-nos estudos reveladores do dano causado pelo processo competitivo mal dirigido ou mal estruturado, lembrando-nos da necessidade de considerarmos os interesses, capacidades e necessidades dos praticantes. Alguma vez você já perguntou a seu filho o que ele gostaria de praticar ou se ele toparia passar por diversos tipos de esporte e ver qual o agrada mais? Foi seu filho de 4 anos quem chegou até você e disse quero praticar esta modalidade. Ou na verdade foi por que você já praticou o esporte e sabe que você gostava então obrigatoriamente ele irá gostar? Bem mesmo se depois disso seu filho aderir ao esporte e gostar deixe que ele tenha o prazer de conhecer o esporte aos poucos sem queimar etapas tão importantes para os desenvolvimentos físicos, mentais e sociais.

O mundo infantil se distingue do mundo adulto, principalmente, pela qualidade e quantidade de responsabilidades, que irá determinar, em certa medida a maturidade do iniciado. Numa referência à sociedade contemporânea, Campbell afirma que na infância vive-se sob a proteção ou supervisão de alguém. Seu filho/atleta é uma criança que está sobre a supervisão de um profissional, o professor de educação física da escola ou da academia e que procura desenvolver todo um trabalho lúdico com ele. As crianças seriam aconselhadas a participar de competições esportivas com todo o aparato a que se tem direito a partir dos doze anos de idade. Jean Piaget, grande estudioso dos processos evolutivos menciona que somente aos doze anos é quando a criança se torna realmente capaz de fazer algumas associações e de entender todo o processo a qual está se inserindo, a vitória, a derrota, o adversário, o público, os dirigentes, patrocinadores. Alguns castelos de areia são construídos caso este processo não seja respeitado. A interação lúdica fortalece não só o atleta, mas também o homem que futuramente será sociável. Não compactue com o desaparecimento da infância, não as obriguem a se tornarem adultas mais cedo. E, não seja autoritário e nem tente se enganar achando que você não faz isso com seu filho:
com o meu filho isto não existe, eu deixo ele muito à vontade. Vai filho mostra que você é o melhor, derruba, derruba. Você não devia ter perdido – comentário de um pai a um filho em uma competição.
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